Artista Molly Crabapple chama a IA generativa de maior roubo de arte da história

A artista Molly Crabapple voltou a levantar a principal questão em torno da IA generativa: dá para construir uma indústria sobre bilhões de imagens coletadas sem o consentimento de seus autores? No centro da disputa estão os processos contra Midjourney, Stability AI e DeviantArt, as cartas abertas a editoras e a crescente preocupação de que o mercado de ilustração já perde encomendas antes de ter regras claras. Em coluna no Guardian, Crabapple chama o que acontece no treinamento de modelos com obras alheias de maior roubo de arte da história. O texto tira o foco da qualidade das imagens e o leva a uma pergunta mais incômoda: quem pagou pelos dados sobre os quais toda a indústria cresceu? Para os críticos, o modelo de mercado atual é assimétrico. As empresas de tecnologia obtêm a matéria-prima quase de graça, enquanto os autores enfrentam a concorrência de sistemas treinados com seus próprios portfólios.

Processado por IA de Guardian; editado por Hamidun News
Artista Molly Crabapple chama a IA generativa de maior roubo de arte da história
Fonte: Guardian. Colagem: Hamidun News.
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Ficha técnica e números-chave
ParâmetroDados
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Editor-chefe
Dado-chave #1Uso de obras alheias sem consentimento
Dado-chave #2Ausência de pagamento e de crédito
Dado-chave #3Surgimento de imitações baratas de estilos reconhecíveis

A artista e jornalista Molly Crabapple, em coluna para o Guardian, chamou o que acontece no treinamento de modelos com obras alheias de maior roubo de arte da história. O texto traz de volta ao centro do debate não a qualidade das imagens, mas uma pergunta mais incômoda: quem pagou pelos dados sobre os quais toda a indústria cresceu?

De onde veio o conflito

A disputa não começou com medos abstratos, mas com coincidências muito concretas. Em 2022–2023, artistas começaram a encontrar na internet imagens suspeitamente parecidas com seu estilo; às vezes bastava digitar o nome do autor em um prompt. A AP informou que Kelly McKernan, Karla Ortiz e Sarah Andersen entraram com um processo contra Stability AI, Midjourney e DeviantArt, alegando que suas obras e milhões de outras imagens foram usadas para treinar modelos sem consentimento e sem pagamento. Para os artistas, isso não é um experimento com um novo pincel, mas a reembalagem comercial de um trabalho já feito.

O cerne da disputa não são só os geradores, mas a cadeia de dados por trás deles. A AP associou o boom das imagens de IA ao conjunto LAION, que indexou enormes volumes de imagens publicamente acessíveis. Em uma audiência no Senado dos EUA em 2023, Ben Brooks, chefe de políticas públicas da Stability AI, reconheceu que não existia, na época, nenhum acordo de pagamento aos artistas. Para os críticos, isso basta para chamar de assimétrico o modelo de mercado atual: as empresas de tecnologia recebem a matéria-prima quase de graça, e os autores enfrentam a concorrência de sistemas treinados com seus próprios portfólios.

Como os artistas reagiram

Os processos não foram a única resposta. Em maio de 2023, o Center for Artistic Inquiry and Reporting publicou uma carta aberta pedindo limites ao uso de ilustrações de IA na mídia; ela foi apoiada por jornalistas, editores, autores e artistas. A carta diz que os geradores de imagens são treinados com milhões de obras protegidas sem o conhecimento nem o consentimento dos criadores, e que o resultado já tira pessoas de encomendas editoriais. Crabapple virou um dos rostos dessa campanha, e sua coluna atual, no fundo, segue a mesma linha.

"Isso é, na prática, o maior roubo de arte da história."
  • Uso de obras alheias sem consentimento
  • Ausência de pagamento e de crédito
  • Surgimento de imitações baratas de estilos reconhecíveis
  • Substituição da ilustração editorial por imagens feitas por máquina
  • Sumiço das primeiras encomendas de artistas jovens

O preço para o mercado

O argumento mais doloroso de Crabapple não é estético, e sim econômico. A ilustração já vivia de margens apertadas, e os serviços generativos deram a redações e marcas uma alternativa baratíssima, obtida em minutos. Os primeiros a sumir não são os contratos de estrelas, mas as pequenas encomendas em que os jovens autores montavam o portfólio e aprendiam a lidar com clientes. Se essa camada do mercado se dissolve, o setor perde não só a renda atual, mas também seus futuros profissionais.

As declarações das próprias empresas de tecnologia aumentam o atrito. Em 2024, Mira Murati disse que parte dos trabalhos criativos pode desaparecer, e admitiu que alguns talvez nem devessem existir na forma anterior. Para os artistas, esse tipo de fala soa como reconhecimento da lógica da substituição: primeiro a plataforma aprende com o trabalho humano, depois esse mesmo trabalho é declarado dispensável.

Por isso, a disputa em torno da arte de IA há muito deixou de ser questão de gosto. Agora a pergunta é quem é dono da matéria-prima cultural e quem recebe o dinheiro quando ela vira produto.

O que isso significa

A coluna de Crabapple importa não por oferecer um novo argumento jurídico, mas por tornar visível, mais uma vez, o custo da IA generativa para o mercado criativo. Enquanto tribunais, editoras e plataformas não chegarem a um acordo sobre regras de licenciamento, consentimento e compensação, parte da indústria verá cada melhoria de modelo como uma forma acelerada de apropriação do trabalho alheio. E quanto mais essa lacuna durar, mais difícil será convencer os autores de que a IA é uma ferramenta de colaboração, e não um sistema de benefício unilateral.

História

Perguntas frequentes sobre a notícia

O que se sabe sobre De onde veio o conflito?

A disputa não começou com medos abstratos, mas com coincidências muito concretas. Em 2022–2023, artistas começaram a encontrar na internet imagens suspeitamente parecidas com seu estilo; às vezes bastava digitar o nome do autor em um prompt. A AP informou que Kelly McKernan, Karla Ortiz e Sarah Andersen entraram com um processo contra Stability AI, Midjourney e DeviantArt, alegando que suas obras e milhões de outras imagens foram usadas para treinar modelos sem consentimento e sem pagamento. Para os artistas, isso não é um experimento com um novo pincel, mas a reembalagem c

Como os artistas reagiram?

Os processos não foram a única resposta. Em maio de 2023, o Center for Artistic Inquiry and Reporting publicou uma carta aberta pedindo limites ao uso de ilustrações de IA na mídia; ela foi apoiada por jornalistas, editores, autores e artistas. A carta diz que os geradores de imagens são treinados com milhões de obras protegidas sem o conhecimento nem o consentimento dos criadores, e que o resultado já tira pessoas de encomendas editoriais. Crabapple virou um dos rostos dessa campanha, e sua coluna atual, no fundo, segue a mesma linha. "Isso é, na prática, o maior roubo de

O que se sabe sobre O preço para o mercado?

O argumento mais doloroso de Crabapple não é estético, e sim econômico. A ilustração já vivia de margens apertadas, e os serviços generativos deram a redações e marcas uma alternativa baratíssima, obtida em minutos. Os primeiros a sumir não são os contratos de estrelas, mas as pequenas encomendas em que os jovens autores montavam o portfólio e aprendiam a lidar com clientes. Se essa camada do mercado se dissolve, o setor perde não só a renda atual, mas também seus futuros profissionais. As declarações das próprias empresas de tecnologia aumentam o atrito. Em 2024, Mira Mura

ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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