DiligenceSquared troca consultores por agentes de voz de IA em operações de fusões e aquisições

A startup DiligenceSquared desafia a indústria de consultoria de gestão, que movimenta centenas de bilhões de dólares. Em vez de contratar consultores caros da McKinsey ou da BCG para avaliar empresas antes da compra, os fundos de private equity agora podem usar agentes de voz de IA. A tecnologia entrevista automaticamente os clientes das empresas-alvo e coleta dados para decisões de investimento. Com isso, reduz de forma drástica o custo e o prazo da due diligence, etapa-chave de qualquer operação de M&A.

Processado por IA de TechCrunch; editado por Hamidun News
DiligenceSquared troca consultores por agentes de voz de IA em operações de fusões e aquisições
Fonte: TechCrunch. Colagem: Hamidun News.
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Em fusões e aquisições, existe uma etapa que tradicionalmente custa aos investidores centenas de milhares de dólares e leva semanas, às vezes meses. É a due diligence: uma verificação completa da empresa antes da compra. A startup DiligenceSquared decidiu que é hora de mudar as regras e propõe substituir um exército de consultores por agentes de voz de IA capazes de entrevistar sozinhos os clientes das empresas-alvo.

Para entender a dimensão do problema, vale ver como o processo funciona hoje. Quando um fundo de private equity avalia comprar uma empresa, contrata uma equipe da McKinsey, da Bain ou da BCG para fazer a chamada due diligence comercial. A parte central desse trabalho são dezenas, às vezes centenas, de entrevistas com clientes, fornecedores e parceiros da empresa-alvo.

Os consultores apuram o quanto o negócio é sólido, se os clientes estão satisfeitos e se há riscos ocultos. Por um único projeto, uma consultoria pode cobrar de 200 mil a 1,5 milhão de dólares. Além disso, um fundo que analisa dezenas de negócios potenciais por ano precisa fazer a due diligence de cada um, e a maioria dessas operações acaba não saindo do papel.

A DiligenceSquared ataca justamente esse ponto fraco. Em vez de consultores humanos, a empresa coloca em campo agentes de voz de IA que ligam para os clientes da empresa-alvo e conduzem entrevistas estruturadas. Os agentes perguntam sobre qualidade do produto, nível de atendimento, posicionamento competitivo e planos de continuar a parceria: tudo o que normalmente pergunta um consultor com MBA e uma hora cobrada a 1.000 dólares. Os dados obtidos são estruturados e analisados automaticamente e viram um relatório, com base no qual o comitê de investimento do fundo toma a decisão.

Por trás há uma combinação de várias tecnologias: os grandes modelos de linguagem atuais dão naturalidade ao diálogo, os sistemas de reconhecimento e síntese de fala tornam a conversa indistinguível de falar com uma pessoa, e uma camada analítica extrai insights quantitativos e qualitativos de respostas não estruturadas. É fundamental que os agentes se adaptem ao rumo da conversa: fazem perguntas de acompanhamento, reagem a respostas inesperadas e encerram a ligação com educação se o interlocutor não estiver disposto a conversar.

Os céticos perguntarão, com razão, sobre a qualidade. Um agente de IA consegue captar as nuances que um consultor experiente percebe, como pausas, entonações e o que fica subentendido? Por enquanto, provavelmente não. Mas a DiligenceSquared não pretende substituir por completo a expertise humana. A startup mira outro segmento: a triagem preliminar, quando o fundo precisa avaliar de forma rápida e barata dezenas de negócios potenciais antes de gastar dinheiro sério na análise aprofundada de dois ou três finalistas. É a lógica do funil: a IA atua no topo, descartando opções pouco promissoras, e os humanos entram onde as apostas são mais altas.

Para a indústria de consultoria de gestão, é um sinal preocupante, embora não fatal. O mercado de due diligence para fundos de PE é avaliado em bilhões de dólares, e as grandes consultorias já adotam ativamente suas próprias ferramentas de IA. Ainda assim, a DiligenceSquared mostra o padrão clássico de disrupção: um novo entrante oferece um produto pior em qualidade, mas radicalmente mais barato e rápido, e começa a conquistar o segmento inferior do mercado. Com o tempo, a tecnologia melhora e sobe na cadeia de valor.

Há também uma dimensão ética. Quando o cliente de uma empresa conversa com um agente de IA, ele deveria saber que não está falando com uma pessoa? Os requisitos variam entre jurisdições e, conforme essas tecnologias se espalharem, os reguladores certamente vão prestar atenção. Além disso, os dados coletados nessas entrevistas podem conter informações comercialmente sensíveis, e seu armazenamento e proteção se tornam críticos.

A DiligenceSquared não é só mais uma startup de IA tentando automatizar tarefas rotineiras. É uma tentativa de repensar um dos processos mais conservadores do mundo financeiro. Se os agentes de voz realmente conseguirem conduzir entrevistas de qualidade por uma fração do custo, isso abrirá o acesso à due diligence profissional para fundos médios e pequenos que antes simplesmente não podiam pagar por ela. E isso, por sua vez, pode mudar a dinâmica de todo o mercado de fusões e aquisições, tornando-o mais competitivo e transparente.

ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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