Meta paga à News Corp pelo direito de alimentar sua IA com notícias
A Meta Platforms fechou um acordo de licenciamento com a News Corp e ganhou o direito de usar conteúdo do The Wall Street Journal e de outros veículos do império de Murdoch nas respostas do chatbot Meta AI e no treinamento de redes neurais. O acordo segue uma tendência: as gigantes de tecnologia negociam, uma após a outra, com os editores para legalizar o uso de conteúdo jornalístico em seus produtos de IA. As condições financeiras não foram divulgadas, mas analistas estimam que o valor chegue a dezenas de milhões de dólares por ano. *A Meta foi classificada como organização extremista e é proibida na Rússia.
Processado por IA de 3DNews AI; editado por Hamidun News
Há apenas alguns anos, empresas de mídia e gigantes de tecnologia travavam uma guerra de processos judiciais e acusações públicas. Hoje, sentam-se à mesa de negociação. A Meta Platforms fechou um acordo de licenciamento com a News Corp, um dos maiores impérios de mídia do mundo, pertencente à família Murdoch. Pelos termos, a empresa de Mark Zuckerberg ganha o direito de usar conteúdo do The Wall Street Journal, do New York Post, do MarketWatch e de outros veículos do grupo para o funcionamento do chatbot Meta AI e para o treinamento de modelos de linguagem.
Para entender a dimensão, vale lembrar o contexto. A News Corp não é apenas um conjunto de jornais. É uma máquina global de mídia que controla dezenas de veículos nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália.
O The Wall Street Journal continua sendo uma das publicações de negócios mais influentes do planeta, e seus arquivos formam um enorme acervo de informação estruturada, verificada e atual, justamente o que falta aos modelos de linguagem para respostas precisas e confiáveis. Para a Meta, o acordo representa um salto de qualidade na confiabilidade de seu assistente de IA: em vez de gerar respostas com base em dados desatualizados ou não verificados, o Meta AI agora poderá citar fontes de autoridade em tempo real.
A News Corp, porém, está longe de ser novata nesse tipo de negociação. Já em 2023, a empresa fechou um acordo semelhante com a OpenAI, avaliado em US$ 250 milhões ao longo de cinco anos, segundo o The Wall Street Journal. Depois vieram os acordos com Google e Apple. Rupert Murdoch e o filho Lachlan, que comanda o império de mídia, escolheram claramente monetizar o conteúdo por meio de licenciamento, e não de disputas judiciais intermináveis. E essa estratégia, pelo visto, está dando resultado: cada novo acordo reforça o precedente de que o jornalismo de qualidade tem um valor de mercado bem concreto na economia da inteligência artificial.
As condições financeiras do acordo entre Meta e News Corp não foram oficialmente divulgadas. Ainda assim, considerando a escala de acordos semelhantes e o volume de conteúdo a que a Meta passa a ter acesso, analistas estimam o valor em dezenas de milhões de dólares por ano. Para a Meta, cuja receita trimestral ultrapassa US$ 40 bilhões, é um erro de arredondamento no orçamento. Para a News Corp, que passa pelos tempos difíceis do negócio tradicional de mídia, é uma fonte de renda substancial e, mais importante, estável.
O acordo levanta uma questão fundamental sobre o futuro do ecossistema de informação. De um lado, os acordos de licenciamento parecem um compromisso justo: os editores recebem por seu conteúdo e as empresas de tecnologia obtêm acesso legal a dados de qualidade. De outro, forma-se um sistema em que os usuários visitam cada vez menos os sites dos veículos, pois recebem um resumo da informação direto no chatbot.
É o dilema clássico: receita de licenciamento no curto prazo contra perda de audiência e de receita publicitária no longo prazo. O The New York Times, por exemplo, recusou por princípio esse tipo de acordo e preferiu processar a OpenAI, por entender que nenhum pagamento de licença compensa a destruição de um modelo de negócio baseado no contato direto com o leitor.
Há ainda outro detalhe que costuma passar despercebido. A Meta desenvolve seu assistente de IA não como um produto isolado, mas como uma função integrada a todas as suas plataformas: Facebook, Instagram e WhatsApp. Isso significa que o conteúdo jornalístico da News Corp poderá chegar a bilhões de usuários que nunca abriram o The Wall Street Journal na vida. Em alcance, é uma distribuição sem precedentes. Mas, para o jornalismo, surge a pergunta: o material original manterá seu valor quando um modelo de linguagem o recontar em três frases, sem contexto, sem nuances e sem a voz do autor?
Numa perspectiva mais ampla, o acordo entre Meta e News Corp é mais um tijolo na base de uma nova economia da mídia, na qual as plataformas de tecnologia deixam de ser apenas canais de distribuição e se tornam os principais consumidores de conteúdo jornalístico. O mercado de licenciamento de dados para IA pode, segundo previsões de analistas, chegar a vários bilhões de dólares nos próximos anos. A questão é se isso será uma boia de salvação para o jornalismo de qualidade ou sua lenta absorção pelos algoritmos. Por ora, ninguém sabe a resposta, nem mesmo quem assina esses contratos de milhões.
*A Meta foi classificada como organização extremista e é proibida na Rússia.
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