G42 e Cerebras vão implantar 8 exaflops de poder computacional na Índia

A G42, de Abu Dhabi, e a americana Cerebras anunciaram uma parceria para implantar na Índia um sistema computacional de 8 exaflops. É um dos maiores projetos de infraestrutura de IA fora dos EUA e da China. O acordo destaca o papel crescente do Oriente Médio como intermediário na distribuição global de capacidade computacional e a ambição da Índia de se tornar protagonista no ecossistema de IA. A Cerebras, conhecida por seus chips em escala de wafer, ganha um ponto de apoio estratégico em um dos mercados de tecnologia que mais crescem no mundo.

Processado por IA de TechCrunch; editado por Hamidun News
G42 e Cerebras vão implantar 8 exaflops de poder computacional na Índia
Fonte: TechCrunch. Colagem: Hamidun News.
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Oito exaflops. Para dimensionar o número, basta lembrar que, poucos anos atrás, alcançar um único exaflop era considerado um marco histórico da supercomputação. Agora, a G42, empresa de tecnologia de Abu Dhabi, e a fabricante americana de chips Cerebras pretendem implantar um sistema oito vezes acima desse patamar, e não no Vale do Silício, mas na Índia.

A parceria, divulgada em fevereiro de 2026, é mais do que mais um acordo de infraestrutura. É um sinal geopolítico que toca três vetores ao mesmo tempo: a ambição do Oriente Médio de ser um polo tecnológico global, o esforço da Índia para não ficar à margem da revolução da IA e a tentativa da Cerebras de desafiar seriamente o domínio da NVIDIA na computação para IA.

Nos últimos anos, a G42 deixou de ser uma empresa emiradense pouco conhecida e virou uma das investidoras mais ativas em infraestrutura global de IA. Apoiada pelo capital soberano de Abu Dhabi e ligada de perto ao ecossistema do campeão nacional de IA, o Technology Innovation Institute, a G42 já chamou a atenção de Washington, e nem sempre de forma positiva. Em 2024, a companhia precisou encerrar vários projetos com parceiros chineses sob pressão dos EUA, e depois disso a Microsoft investiu US$ 1,5 bilhão nela, ancorando-a na prática na órbita do bloco tecnológico ocidental.

A parceria com a Cerebras, empresa americana, se encaixa nessa estratégia: a G42 demonstra lealdade aos padrões tecnológicos ocidentais e, ao mesmo tempo, amplia sua própria influência.

A Cerebras, por sua vez, recebe do acordo o que mais precisa: escala. A empresa de Sunnyvale é conhecida por sua abordagem radical da arquitetura de chips de IA. Em vez das GPUs tradicionais, produz os chamados processadores em escala de wafer: chips gigantes, do tamanho de uma lâmina inteira de silício, cada um com centenas de milhares de núcleos de processamento.

A tecnologia impressiona, mas até agora a Cerebras seguiu como player de nicho, incapaz de competir com a NVIDIA em volume de implantação. Um projeto de 8 exaflops na Índia é uma aposta de outro calibre. Se o sistema for implantado com sucesso, será uma das maiores instalações da Cerebras no mundo e a prova de que a arquitetura em escala de wafer funciona em data centers de nível nacional.

Nesse triângulo, a Índia é mais do que um lugar para hospedar servidores. Um país de 1,4 bilhão de habitantes e com um setor de tecnologia em rápido crescimento precisa urgentemente de infraestrutura própria de computação para IA. O governo de Narendra Modi vem promovendo de forma consistente a estratégia "Índia como nação de IA", mas até agora o país dependeu muito da capacidade de nuvem dos hiperescaladores ocidentais.

Uma infraestrutura própria de classe exaflop muda a situação de forma fundamental: empresas, institutos de pesquisa e órgãos públicos indianos passam a poder treinar e executar grandes modelos de IA sem enviar dados ao exterior. Para um país em que a soberania digital é um tema cada vez mais premente, esse argumento pesa tanto quanto o desempenho bruto.

Também é importante olhar o contexto mais amplo. O mundo entrou em uma era em que a capacidade computacional para IA virou recurso estratégico, no mesmo patamar que o petróleo ou os metais de terras raras. Países e empresas aumentam os investimentos em data centers em velocidade inédita, enquanto o acesso a chips avançados é cada vez mais regulado por controles de exportação. Nessas condições, o papel dos intermediários, países e empresas capazes de redistribuir recursos computacionais entre regiões, torna-se central. A G42 ocupa deliberadamente esse nicho, e o projeto na Índia é uma ilustração clara dessa estratégia.

Resta a questão da execução. Implantar 8 exaflops é uma tarefa colossal, não só pelo hardware, mas também por energia, refrigeração e infraestrutura de engenharia. A Índia, apesar das ambições, enfrenta problemas crônicos no setor de energia, e garantir fornecimento estável a um data center desse porte exigirá investimentos específicos. Nem a G42 nem a Cerebras divulgaram até agora detalhes sobre prazos, localização e parâmetros financeiros do projeto, o que deixa espaço para um ceticismo saudável.

Ainda assim, a própria parceria registra uma mudança importante. O mapa global da computação para IA deixa de ser uma história bipolar entre EUA e China. Oriente Médio, Índia e outras regiões entram ativamente na corrida, formando novas alianças e cadeias de suprimento. E, se o projeto sair do papel, será um dos exemplos mais claros de como a infraestrutura de IA vira instrumento de influência geopolítica.

História
ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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