Fadiga digital: Hollywood descobre que o público não gosta de IA

Hollywood enfrenta um desafio inesperado: a «fadiga de IA». No último ano, projetos que usam modelos generativos de forma intensiva ou exploram o tema da rebelião das máquinas tiveram resultados fracos. O público ou não acredita na imagem «estéril» ou está cansado de enredos previsíveis. Depois das greves de roteiristas, os estúdios esperavam economizar na produção de conteúdo, mas o mercado dita suas próprias regras. A perfeição técnica não substitui a sinceridade, e o «vale da estranheza» ainda assusta o grande público. A indústria terá de rever sua abordagem à inovação para não perder de vez a audiência.

Processado por IA de Wired; editado por Hamidun News
Fadiga digital: Hollywood descobre que o público não gosta de IA
Fonte: Wired. Colagem: Hamidun News.
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Lembra quando nos prometeram que as redes neurais tornariam a produção de cinema mais barata, mais rápida e, quem sabe, até melhor? Há um ano, um em cada dois produtores em Los Angeles sonhava com modelos generativos substituindo departamentos de gráficos caros e, quem sabe, roteiristas temperamentais. Mas a realidade, como costuma acontecer, foi bem mais irônica. Em vez de um triunfo da tecnologia, vemos um fenômeno que já foi batizado de «fadiga de IA». O espectador simplesmente parou de «comprar» o substituto digital, e isso se torna um problema sério para uma indústria que já não vai bem depois das longas greves e da crise da pandemia.

A raiz do problema não está só na qualidade da imagem, mas na sensação que o produto transmite. Depois que os feeds das redes sociais se encheram de imagens «impecáveis» do Midjourney e de vídeos do Runway, o olhar do espectador comum ficou saturado. O que antes parecia mágica agora é visto como ruído visual barato. Quando o público vê no cinema um quadro que lembra suspeitamente o resultado de uma rede neural, a magia do cinema se evapora na hora. Estamos diante de uma nova forma de «vale da estranheza», em que o problema não são os movimentos truncados dos personagens, mas o vazio emocional geral do que acontece na tela.

O contexto tem papel central. Durante todo o ano passado, Hollywood foi abalada por protestos de roteiristas e atores que lutavam para proteger seus direitos contra a expansão dos algoritmos. Nesse conflito, o público ficou do lado das pessoas. Como resultado, qualquer menção à IA no processo de criação de um filme passou a ser vista não como avanço tecnológico, mas como tentativa do estúdio de economizar às custas de talentos humanos. Isso criou uma aura negativa em torno de projetos que poderiam ter sido bem-sucedidos, mas foram vítimas do sentimento anti-IA. Profissionais de marketing que antes se orgulhavam de anunciar o uso de redes neurais agora tentam esconder o fato às pressas, para não provocar um boicote.

O roteiro também saiu prejudicado. O tema da inteligência artificial no cinema foi batido à exaustão nos últimos dois anos. O público está cansado de histórias iguais sobre robôs que ganham consciência ou algoritmos sinistros que dominam o mundo. Quando notícias reais sobre a OpenAI ou a Anthropic saem todos os dias, os roteiros de Hollywood parecem ou ingênuos demais ou irremediavelmente ultrapassados. A indústria do entretenimento simplesmente não acompanha a velocidade da tecnologia real e acaba entregando um produto que parece salada requentada: até dá para comer, mas não abre o apetite.

O que isso significa para o futuro? Provavelmente, vem aí um retorno ao cinema «artesanal». Assim como, na era do excesso de CGI, o público passou a valorizar efeitos práticos no estilo de Christopher Nolan, agora chega a vez do marketing do «feito por humanos». Os estúdios vão passar a destacar a ausência de IA em seus projetos como selo de qualidade e exclusividade. A tecnologia não vai embora: continuará na caixa de ferramentas de editores e coloristas, mas deixará de ser o rosto das campanhas publicitárias. O espectador quer novamente uma pessoa, com todos os seus erros e imperfeições, porque é isso que torna uma história viva.

O principal: Hollywood terá de admitir que a IA é apenas um martelo sofisticado, não um substituto para o carpinteiro. Será que os estúdios conseguirão recuperar a confiança do público, ou o «cinema humano» virará uma iguaria cara para poucos?

História
ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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