Google avança com data center de IA no Texas movido a usina a gás, na contramão de suas metas climáticas

O Google confirmou participação no projeto Goodnight, no Armstrong County, no Texas, onde a Crusoe constrói um campus de data center e uma usina a gás de 933 MW. Segundo estimativa da Cleanview, a instalação poderá emitir até 4,5 milhões de toneladas de CO2 por ano, mais do que toda a cidade de São Francisco. O Google afirma que ainda não há contrato para a usina em si. Mesmo assim, o caso mostra como a corrida por capacidade de IA já está mudando a agenda climática das Big Techs.

Processado por IA de Guardian; editado por Hamidun News
Google avança com data center de IA no Texas movido a usina a gás, na contramão de suas metas climáticas
Fonte: Guardian. Colagem: Hamidun News.
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Ficha técnica e números-chave
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Editor-chefe
Dado-chave #1O Google anunciou investimento de $40 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA no Texas até 2027
Dado-chave #2O novo campus Goodnight é apenas parte dessa expansão
Dado-chave #3Para os novos sites do Google, estão sendo consideradas cargas na faixa de 800–1000 MW

O Google confirmou parceria no data center Goodnight, no Texas, ao lado do qual está prevista a construção de uma grande usina a gás. Para uma empresa que passou anos se vendendo como líder em energia limpa, isso representa uma guinada notável, forçada pela corrida da IA.

Projeto Goodnight

O campus fica no Armstrong County, no norte do Texas, e é desenvolvido pelo Google em conjunto com a Crusoe Energy. Segundo a Cleanview, em janeiro a Crusoe protocolou pedido para construir uma usina a gás de 933 MW no próprio terreno do futuro campus. O pedido de licenciamento informa que a instalação vai operar fora da rede elétrica e abastecer pelo menos dois prédios. Imagens de satélite citadas pela empresa de pesquisa mostram que as obras já começaram.

O número mais pesado dessa história é a estimativa de emissões. Se a usina entrar em operação na configuração declarada, poderá emitir até 4,5 milhões de toneladas de CO2 por ano. Para comparação, é mais do que as emissões anuais de toda a cidade de São Francisco.

O Google, porém, não confirmou quanta energia pretende comprar dessa usina. Um porta-voz da empresa disse que ainda não há contrato para essa usina no Texas e que as negociações continuam.

Guinada na estratégia climática

A mudança chama ainda mais atenção diante das promessas anteriores do Google. Em 2020, a empresa anunciou a meta de atingir net zero e abastecer suas operações com energia livre de carbono até 2030. Por anos, o Google investiu em energia eólica, solar, geotérmica e nuclear, além de promover o conceito de energia livre de carbono 24/7.

Com o crescimento da carga de IA, no entanto, esse arcabouço começou a se desfazer. No relatório referente a 2023, o Google admitiu que já não mantém a neutralidade de carbono operacional nos termos anteriores e, em materiais posteriores, passou a tratar suas metas climáticas como "moonshots" — ambições sem garantia firme de resultado.

Os números também pressionam essa narrativa. Em 2024, o Google informou que suas emissões de gases de efeito estufa cresceram 48% em relação a 2019 e apontou o consumo de energia dos data centers como uma das causas. Segundo a Cleanview, só em 2024 os data centers do Google consumiram 30,8 milhões de megawatts-hora de eletricidade — cerca do dobro de quatro anos antes.

Nesse contexto, uma usina a gás sem tecnologia de captura de carbono deixa de parecer exceção e passa a ser uma parte aceitável do mix energético.

Corrida por energia

O caso do Texas importa para além dele mesmo. Ele mostra a rapidez com que a IA transforma a energia em um gargalo estratégico para as Big Techs.

O Google amplia seus investimentos de capital, constrói novos sites e, em paralelo, testa diferentes fontes de energia: de eólica e solar a gás, baterias, geotermia e nuclear. Os pesquisadores da Cleanview acompanham 63 projetos de data centers do Google em 20 estados dos EUA, e em muitos casos já não se trata apenas de comprar energia da rede, mas de projetar diretamente o conjunto "data center mais geração própria".

O que se sabe sobre a escala atual:

  • O Google anunciou investimento de $40 bilhões em infraestrutura de nuvem e IA no Texas até 2027
  • O novo campus Goodnight é apenas parte dessa expansão
  • Para os novos sites do Google, estão sendo consideradas cargas na faixa de 800–1000 MW
  • A empresa também tem projetos de energia limpa na região, incluindo uma parceria em um parque eólico
  • Outras gigantes de tecnologia já avaliam soluções semelhantes a gás para data centers de IA

O que isso significa

O boom da IA já não disputa com a política climática apenas na teoria: ele está reescrevendo essa política em decisões concretas de infraestrutura.

Se até o Google, por muito tempo visto como o player mais disciplinado em energia limpa entre as gigantes de tecnologia, está disposto a recorrer ao gás para acelerar a entrada em operação de data centers, o sinal para todo o setor é claro: hoje, capacidade disponível pesa mais do que as antigas promessas ambientais.

História

Perguntas frequentes sobre a notícia

O que se sabe sobre Projeto Goodnight?

O campus fica no Armstrong County, no norte do Texas, e é desenvolvido pelo Google em conjunto com a Crusoe Energy. Segundo a Cleanview, em janeiro a Crusoe protocolou pedido para construir uma usina a gás de 933 MW no próprio terreno do futuro campus. O pedido de licenciamento informa que a instalação vai operar fora da rede elétrica e abastecer pelo menos dois prédios. Imagens de satélite citadas pela empresa de pesquisa mostram que as obras já começaram. O número mais pesado dessa história é a estimativa de emissões. Se a usina entrar em operação na configuração declarad

O que se sabe sobre Guinada na estratégia climática?

A mudança chama ainda mais atenção diante das promessas anteriores do Google. Em 2020, a empresa anunciou a meta de atingir net zero e abastecer suas operações com energia livre de carbono até 2030. Por anos, o Google investiu em energia eólica, solar, geotérmica e nuclear, além de promover o conceito de energia livre de carbono 24/7. Com o crescimento da carga de IA, no entanto, esse arcabouço começou a se desfazer. No relatório referente a 2023, o Google admitiu que já não mantém a neutralidade de carbono operacional nos termos anteriores e, em materiais posteriores, pass

O que se sabe sobre Corrida por energia?

O caso do Texas importa para além dele mesmo. Ele mostra a rapidez com que a IA transforma a energia em um gargalo estratégico para as Big Techs. O Google amplia seus investimentos de capital, constrói novos sites e, em paralelo, testa diferentes fontes de energia: de eólica e solar a gás, baterias, geotermia e nuclear. Os pesquisadores da Cleanview acompanham 63 projetos de data centers do Google em 20 estados dos EUA, e em muitos casos já não se trata apenas de comprar energia da rede, mas de projetar diretamente o conjunto "data center mais geração própria". O que se sab

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Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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