Allbirds vende negócio de calçados e se reinventa como NewBird AI com US$ 50 milhões em financiamento
A Allbirds, marca que ficou famosa pelos tênis de lã merino, vendeu seu negócio de calçados e se relançou como NewBird AI. A empresa captou US$ 50 milhões por meio de um instrumento conversível e agora constrói infraestrutura de IA, em vez de calçados sustentáveis. Trata-se de uma das guinadas corporativas mais radicais dos últimos tempos: de marca D2C para o mercado de computação em servidores.
Processado por IA de TechCrunch; editado por Hamidun News
A Allbirds, empresa conhecida pelos tênis sustentáveis feitos de lã merino, não vende mais calçados. O negócio foi vendido, a marca passou a se chamar NewBird AI e US$ 50 milhões em financiamento conversível já estão garantidos. É uma das guinadas corporativas mais inesperadas dos últimos anos: de calçados D2C para infraestrutura de IA.
A trajetória da Allbirds mostra como uma boa ideia pode esbarrar em uma economia implacável. A empresa foi fundada em 2016 por Tim Brown e Joey Zwillinger com uma proposta simples, mas certeira: fazer calçados confortáveis e sustentáveis com materiais naturais, como lã merino, espuma de cana-de-açúcar e fibra de eucalipto. O modelo Runner, de lã, virou item cult no Vale do Silício, usado por fundadores de startups, investidores de venture capital e engenheiros do Google.
Em 2021, a empresa abriu capital com avaliação de US$ 4,1 bilhões. Parecia ser a próxima grande marca DTC de uma nova geração, com propósito, missão e público fiel. A realidade foi mais dura.
As vendas estagnaram e não alcançaram as projeções ambiciosas. Os prejuízos se acumularam trimestre após trimestre. A empresa revisou para baixo suas projeções de receita várias vezes, passou por reestruturações amplas e trocou equipes de liderança.
Em 2024, as ações eram negociadas a poucos centavos, contra o preço de US$ 15 no IPO apenas três anos antes. O problema era estrutural: competir com Nike, Adidas e Hoka com um orçamento de marketing limitado é um desafio sem solução elegante. Os consumidores elogiavam sinceramente a missão e os valores da empresa, mas, na hora da compra, acabavam escolhendo as marcas de sempre.
A saída encontrada foi radical: vender todo o negócio de calçados e deixar o mercado. Os detalhes da transação não foram divulgados, mas o resultado é claro: a Allbirds não fabrica nem vende mais tênis. Ao mesmo tempo, a empresa fechou um acordo de US$ 50 milhões na forma de um instrumento de dívida conversível: sob determinadas condições, a dívida é convertida em participação acionária.
A nova área de atuação é infraestrutura de servidores para IA, e o novo nome é NewBird AI. A empresa que construiu seu negócio com lã merino e fibra de eucalipto agora mira o mercado de capacidade computacional para IA. O mercado de infraestrutura de IA está, de fato, aquecido.
A demanda por clusters de GPU e computação em nuvem para treinamento e inferência de modelos de linguagem cresce mais rápido do que a construção de data centers consegue acompanhar. Empresas como CoreWeave e Lambda Labs captaram bilhões justamente nessa onda. Os maiores hyperscalers — Microsoft, Google e Amazon — investem centenas de bilhões na expansão da infraestrutura de IA.
A demanda é real e enorme. A questão é outra. Nesse contexto, cinquenta milhões de dólares são uma quantia bastante modesta.
Concorrentes com DNA tecnológico têm anos de vantagem, expertise consolidada em infraestrutura e relacionamentos estabelecidos com grandes clientes corporativos âncora. Analistas já fazem a pergunta direta: o que uma ex-fabricante de tênis sabe fazer em infraestrutura de IA que dezenas de concorrentes bem financiados não sabem? O rebranding da Allbirds como NewBird AI é sintoma de um fenômeno mais amplo.
Muitas empresas de consumo, diante da desaceleração do crescimento e da pressão sobre as margens, tentam se reinventar sob a ótica da IA. Às vezes funciona, quando por trás da troca de nome há expertise real e uma visão de produto clara. Na maioria das vezes, não.
A pergunta mais importante para a NewBird AI agora não é quão atraente é o mercado escolhido, mas com que equipe e com que visão a empresa entra nele. A resposta vai definir se ela se tornará um player relevante na corrida por infraestrutura ou apenas mais uma história de pivô corporativo rumo a lugar nenhum.
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