Gemini aprende a pedir comida e chamar táxi por você

O Google lançou os recursos agênticos do Gemini na atualização de março do Pixel 10. O assistente de IA agora consegue executar tarefas por conta própria em aplicativos de terceiros, como pedir compras pelo Grubhub ou chamar um carro no Uber. O recurso funciona em segundo plano, mas o usuário pode intervir ou interromper o processo a qualquer momento. A tecnologia foi mostrada pela primeira vez uma semana antes, no Samsung Unpacked. Por enquanto, a atualização está disponível apenas para a linha Pixel 10.

Processado por IA de The Verge; editado por Hamidun News
Gemini aprende a pedir comida e chamar táxi por você
Fonte: The Verge. Colagem: Hamidun News.
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O Google fez o que a indústria vinha prometendo havia um ano e meio: transformou um modelo de linguagem de interlocutor em executor. A atualização de março para a linha Pixel 10 dá ao Gemini a capacidade de agir sozinho dentro dos aplicativos: pedir compras, chamar um carro e realizar outras tarefas rotineiras sem a participação constante do usuário.

A ideia de IA agêntica, ou seja, um sistema que não apenas responde perguntas, mas executa ações no mundo real, se tornou a principal tendência de 2025. A OpenAI avançou nessa direção com o Operator, a Anthropic experimentou com o Computer Use e a Apple ampliou discretamente os recursos da Siri. Mas o Google foi o primeiro a embutir recursos agênticos completos diretamente no sistema operacional de um smartphone de massa. Não é um protótipo de pesquisa nem uma versão beta para desenvolvedores: é uma atualização que está chegando agora ao Pixel 10, ao Pixel 10 Pro e ao Pixel 10 Pro XL.

Tecnicamente, funciona assim. O usuário pede ao Gemini que faça uma tarefa, por exemplo pedir mantimentos para o jantar ou chamar um carro até o aeroporto. O assistente abre o aplicativo necessário, seja Grubhub ou Uber, e começa a interagir com a interface: toca em botões, preenche campos, escolhe opções. Tudo acontece em segundo plano enquanto o dono do celular cuida de outras coisas: rola o feed, responde mensagens ou simplesmente guarda o aparelho no bolso. O Google ressalta que o usuário mantém controle total: a qualquer momento é possível ver o que o assistente está fazendo, corrigir suas ações ou interromper o processo por completo.

Um detalhe importante: por ora, a lista de aplicativos compatíveis é limitada. O Google usa a expressão "select apps", o que sugere integração app a app, e não uma solução universal. Faz sentido do ponto de vista da segurança: antes de deixar uma IA gastar o dinheiro real do usuário, é preciso garantir que ela funcione corretamente com uma interface específica. Grubhub e Uber são os primeiros parceiros, mas é evidente que a lista vai crescer. Curiosamente, o Google demonstrou o recurso pela primeira vez não em um evento próprio, mas no Samsung Unpacked, o que indica a intenção de posicionar o Gemini como solução de plataforma para todo o ecossistema Android.

Para a indústria, é um ponto de virada. Até agora, os assistentes de voz dos smartphones continuavam sendo, na prática, buscadores incrementados com um conjunto de comandos pré-programados. Ligar um timer, tocar música, ligar para a mãe: era esse todo o repertório. Os recursos agênticos do Gemini mudam esse modelo de forma fundamental. O assistente não espera mais instruções precisas: interpreta a intenção e encontra sozinho um jeito de realizá-la. A diferença entre "encontre o restaurante mais próximo" e "peça meu jantar" é a diferença entre um catálogo e um assistente pessoal.

Ainda assim, restam questões sérias. Como o sistema vai tratar erros? O que acontece se o Gemini pedir o produto errado ou escolher o endereço de entrega incorreto? Quem responde pelas transações financeiras feitas por uma IA em nome do usuário? O Google ainda não deu respostas completas e se limitou a garantir que o dono do aparelho terá controle total. Provavelmente, nas primeiras etapas o assistente pedirá confirmação antes de efetuar pagamentos, mas, conforme a confiança aumentar, essas barreiras podem diminuir.

Há também um aspecto competitivo. A exclusividade do recurso no Pixel 10 é, ao mesmo tempo, uma jogada de marketing e uma limitação técnica. Recursos agênticos exigem muito poder de processamento, e o novo chip Tensor G5 aparentemente tem papel central. Mas, estrategicamente, o Google não pode se dar ao luxo de manter o recurso apenas no Pixel. Samsung, Xiaomi, OnePlus: todos os grandes fabricantes de celulares Android esperam que esses recursos cheguem via Google Play Services. Provavelmente é questão de meses, não de anos.

A atualização de março do Pixel não é apenas um conjunto de novos recursos. É o primeiro passo rumo a um modelo de interação com o smartphone em que os aplicativos deixam de ser algo que o usuário abre e passam a ser algo que a IA controla. Se o Google conseguir escalar a tecnologia e manter a confiança dos usuários, podemos estar diante da maior mudança em UX móvel desde o surgimento das lojas de aplicativos.

História
ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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