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Antiverse capta US$ 9,3 milhões para descobrir anticorpos com IA a partir de Cardiff

A startup de biotecnologia Antiverse, sediada em Cardiff, captou US$ 9,3 milhões em uma rodada Série A liderada pela Soulmates Ventures. A empresa desenvolve uma plataforma de IA para acelerar a busca por anticorpos terapêuticos, componente-chave de medicamentos modernos contra câncer, doenças autoimunes e infecciosas. Os recursos serão usados para ampliar a plataforma computacional e levar os principais programas à fase de testes pré-clínicos in vivo. A rodada também contou com Innovation Investment Capital, DOMiNO Ventures e alguns investidores já existentes.

Processado por IA de TNW; editado por Hamidun News
Antiverse capta US$ 9,3 milhões para descobrir anticorpos com IA a partir de Cardiff
Fonte: TNW. Colagem: Hamidun News.
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Cardiff não é a primeira cidade que vem à cabeça quando se fala em biotecnologia de ponta. Londres, Cambridge e Boston são os pontos de sempre no mapa da inovação farmacêutica. Mas é da capital do País de Gales que uma pequena empresa, a Antiverse, pretende virar de cabeça para baixo um dos processos mais caros e lentos da medicina moderna: o desenvolvimento de anticorpos terapêuticos. Nesta semana, a startup anunciou o fechamento de uma Série A de US$ 9,3 milhões, o que lhe dá recursos para passar de uma tecnologia promissora a programas pré-clínicos de verdade.

A rodada foi liderada pelo fundo Soulmates Ventures, com a participação da Innovation Investment Capital e da DOMiNO Ventures, além dos investidores atuais DBW e Kadmos Capital. Para uma empresa fundada em Cardiff e que atua na interseção entre aprendizado de máquina e biologia molecular, é um marco importante: os recursos permitirão escalar a plataforma computacional e levar as moléculas candidatas principais até a fase de testes in vivo, ou seja, em organismos vivos.

Para entender a relevância do trabalho da Antiverse, vale lembrar que os anticorpos são a base de um enorme segmento da farmacêutica moderna. Anticorpos monoclonais são usados no tratamento de câncer, doenças autoimunes, infecções e muitas outras condições. O mercado global de anticorpos terapêuticos é estimado em mais de US$ 200 bilhões e continua crescendo. No entanto, o processo tradicional de desenvolvimento segue sendo extremamente longo e caro. Encontrar um anticorpo que se ligue com precisão ao alvo certo e, ao mesmo tempo, seja seguro e estável pode levar anos de trabalho de laboratório, e o custo das etapas iniciais chega a dezenas de milhões de dólares.

É aí que entra a inteligência artificial. A plataforma da Antiverse usa modelos generativos de aprendizado de máquina para projetar anticorpos de novo, isto é, do zero, sem precisar testar bilhões de variantes em tubos de ensaio. Os algoritmos da empresa foram treinados com grandes volumes de dados sobre estruturas de proteínas e interações antígeno-anticorpo, o que lhes permite prever quais sequências de aminoácidos têm maior probabilidade de gerar uma molécula com as propriedades desejadas. Na prática, a IA assume a parte do trabalho que antes exigia ciclos intermináveis de triagem experimental e a reduz a um problema computacional.

A Antiverse está longe de ser a única jogadora nesse campo. Nos últimos dois ou três anos, o setor de projeto de moléculas biológicas com IA viveu um verdadeiro boom. Empresas como Absci, Generate Biomedicines e BigHat Biosciences captaram centenas de milhões de dólares para tarefas semelhantes. O AlphaFold, do Google DeepMind, mudou radicalmente a compreensão da estrutura das proteínas, e grandes farmacêuticas, da Sanofi à Amgen, fecham parcerias com startups de IA com frequência. Nesse contexto, US$ 9,3 milhões parecem pouco, mas para a empresa de Cardiff são um sinal de intenções sérias e, mais importante, a validação da viabilidade da tecnologia por investidores profissionais.

O contexto geográfico merece atenção à parte. O Reino Unido vem se consolidando de forma consistente como um dos principais polos na interseção entre IA e ciências da vida. O Francis Crick Institute, em Londres, o cluster de Cambridge e agora as startups galesas: o ecossistema se expande para além dos centros tradicionais. Para Cardiff, o sucesso da Antiverse pode servir de catalisador: atrair capital de risco para a região cria um precedente e uma infraestrutura para as próximas empresas.

Ainda assim, a principal pergunta continua em aberto. O projeto computacional de anticorpos é uma ideia elegante, mas o teste real só acontece quando as moléculas projetadas funcionam em um organismo vivo. A passagem do modelo de computador para testes pré-clínicos bem-sucedidos é justamente a barreira que separa uma tecnologia promissora de um medicamento de verdade. A Antiverse agora tem financiamento para esse passo crítico, e serão os resultados in vivo que mostrarão quão precisas são as previsões de sua plataforma de IA.

Se tudo der certo, a empresa de Cardiff pode se tornar mais uma prova de que o futuro da farmacêutica não é construído apenas em laboratórios com pipetas, mas também em servidores com GPUs. E, para a indústria como um todo, cada caso de sucesso no projeto de anticorpos com IA aproxima o momento em que criar um novo medicamento biológico levará não uma década, mas poucos anos.

História
ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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