Trump manda trocar AI por Super Intelligence em todas as agências federais
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na semana passada um decreto que obriga as agências federais a substituir o termo «artificial intelligence» (AI) por «Super Intelligence» (SI). Na versão de Trump, o motivo é que a palavra «artificial» faz uma das tecnologias mais importantes do mundo soar «falsa». Na China, a tecnologia se chama 人工智能, termo que historicamente se constrói em torno do ser humano e do seu trabalho, e não da artificialidade. A disputa pelo nome mostra como os dois países imaginam o futuro da tecnologia. • Foi assinado um decreto que troca AI por SI nas agências federais. • O termo «superintelligence» já significa outra coisa na indústria. • Para fornecedores do governo dos EUA, a mudança é uma questão de vocabulário em propostas e documentos.
Processado por IA de SCMP Tech; editado por Hamidun News
Há uma semana, Donald Trump assinou um decreto pelo qual as agências federais dos EUA devem substituir, em seus documentos, «artificial intelligence», ou AI, por «Super Intelligence», ou SI. O argumento do presidente é simples: a palavra «artificial» faz uma das tecnologias mais influentes do mundo soar «fake», ou seja, «falsa». Com uma canetada, muda a terminologia de toda a máquina federal e, junto com ela, o sinal que Washington envia ao mercado e aos rivais.
O que se sabe sobre o decreto
Segundo o SCMP, o documento determina expressamente que as agências substituam o termo antigo pelo novo. A parte do material disponível no momento da redação não traz detalhes. Não está claro se a troca vale para leis já aprovadas, padrões técnicos e contratos. Os prazos de transição também são desconhecidos. Por enquanto, é uma declaração sobre palavras, e não sobre orçamentos, chips ou regras de exportação. Mas, na máquina pública, palavras têm consequência prática: é por elas que se buscam programas, se estruturam compras e se classificam relatórios.
O contraponto chinês
Em chinês, a tecnologia se chama 人工智能 (réngōng zhìnéng). O primeiro par de ideogramas, 人工, é formado pelos caracteres «pessoa» e «trabalho». Significa «feito por mãos humanas», mas o sentido está ligado à participação humana, e não à falsificação. O SCMP destaca que, no nome chinês, o centro é o ser humano, e não a artificialidade.
Isso condiz com a forma como Pequim constrói sua política. O Plano de Desenvolvimento de IA de Nova Geração, de 2017, fixava a meta de chegar à liderança mundial até 2030. A iniciativa «AI+», de 2025, trata da penetração da tecnologia na economia: pelas metas oficiais, mais de 70% dos novos terminais e agentes inteligentes até 2027 e mais de 90% até 2030. Ali, a tecnologia é apresentada como ferramenta para a indústria e para as pessoas. Nos EUA, propõe-se agora nomeá-la pela superioridade sobre o ser humano.
Por que SI gera confusão
«Superintelligence» já tem um sentido consolidado na indústria: um sistema hipotético que supera o ser humano em um amplo conjunto de tarefas. Hoje, marcas e estratégias são construídas em torno dessa palavra, do laboratório Meta Superintelligence Labs à empresa Safe Superintelligence. Se os modelos de linguagem atuais passarem a ser chamados de «superinteligência» em documentos oficiais, ficam borrados os limites sobre os quais se apoia a discussão de segurança e de regimes regulatórios por limiares. Há também um conflito banal: SI já é a sigla do Sistema Internacional de Unidades.
Parâmetros principais da história:
- Documento: decreto executivo, assinado na semana passada.
- Substituição: «artificial intelligence» (AI) por «Super Intelligence» (SI).
- Destinatários: agências federais dos EUA.
- Motivo: a palavra «artificial» soa como «fake».
- Termo chinês: 人工智能, quatro ideogramas, com ênfase de sentido no ser humano.
- Metas chinesas: liderança até 2030 (plano de 2017), 70% e 90% de penetração de agentes em 2027 e 2030 («AI+»).
O que as equipes devem fazer
Empresas que atendem contratos governamentais devem revisar com antecedência os modelos de propostas, as palavras-chave nos documentos de licitação e as descrições de produtos: as agências podem começar a filtrá-los pela nova terminologia. O mais prático é manter um glossário duplo AI/SI e não renomear produtos públicos até que sejam publicados esclarecimentos e prazos.
Redações e analistas precisam separar com clareza o «SI» oficial dos documentos dos EUA e «superintelligence» como termo técnico. Para desenvolvedores e gerentes de produto que atuam nos dois mercados, vale lembrar as duas lógicas: na China, as formulações preservam o centro humano; nos EUA, esse centro é deslocado pela imagem de uma superinteligência. O mais importante aparecerá no texto do decreto: o que exatamente muda, onde e até que data.
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