Presidente da Tata Sons recusa cortar projetos de chips para dar retorno rápido aos acionistas
O presidente da Tata Sons, Natarajan Chandrasekaran, afirmou que o grupo vai continuar fazendo o que a Índia e o mundo precisam, o que inclui semicondutores. Ele admitiu que esses projetos demoram a dar retorno. A declaração vem em meio a uma tensão com acionistas, que cobram receitas mais rápidas. Para a Tata, os chips seguem entre as apostas que mais exigem capital: a fábrica de Dholera foi avaliada em cerca de US$ 11 bilhões, e a planta de montagem e teste em Assam, em ₹27 000 crore. • O rumo em chips está mantido, apesar da pressão. • O retorno das fábricas se mede em anos. • A disputa com os acionistas será um teste para o programa indiano de semicondutores.
Processado por IA de Bloomberg Tech; editado por Hamidun News
O presidente da Tata Sons, Natarajan Chandrasekaran, afirmou que o grupo vai continuar construindo o que a Índia e o mundo precisam, incluindo chips semicondutores. Ele admitiu que esses projetos não dão retorno rápido. A declaração surge em meio a uma disputa com acionistas, que pressionam por retornos mais rápidos sobre o capital investido. O tamanho da aposta já era conhecido por anúncios anteriores do grupo: só a fábrica de Dholera, no estado de Gujarat, foi avaliada em cerca de ₹91 000 crore, aproximadamente US$ 11 bilhões.
A disputa sobre o horizonte
A declaração pública, noticiada pela Bloomberg, não traz números nem prazos. O que ela traz é uma posição: a Tata Sons não pretende cortar projetos longos de infraestrutura em nome de resultados de curto prazo. Chandrasekaran associa diretamente os chips ao que "a Índia e o mundo precisam", ou seja, justifica o investimento pelo valor estratégico, e não pela rapidez do retorno.
A Tata Sons tem uma estrutura de controle incomum. Segundo dados públicos, o controle, cerca de dois terços, está com as fundações filantrópicas Tata Trusts, e cerca de 18% pertencem ao grupo Shapoorji Pallonji. Os interesses dos acionistas diferem. As fundações olham para a missão de longo prazo do grupo, enquanto o acionista minoritário precisa de liquidez e de dividendos previsíveis. Os semicondutores caem exatamente nesse ponto de atrito: exigem muito dinheiro e não geram receita nos primeiros anos.
O que já está investido em chips
O programa de manufatura é conduzido pela subsidiária Tata Electronics. De acordo com os dados divulgados no anúncio de fevereiro de 2024, ele inclui dois projetos principais:
- fábrica em Dholera, em parceria com a taiwanesa Powerchip Semiconductor Manufacturing Corp, com investimento de cerca de ₹91 000 crore (US$ 11 bilhões);
- capacidade da fábrica de até 50 000 wafers por mês, com nós de processo a partir de 28 nm;
- planta de montagem e teste (OSAT) em Jagiroad, no estado de Assam, de cerca de ₹27 000 crore;
- capacidade declarada da planta de Assam de até 48 milhões de chips por dia;
- mercados-alvo: eletrônica automotiva, soluções de potência, dispositivos de consumo e telecomunicações.
Esses parâmetros vêm de declarações antigas da empresa. Os prazos atuais de início de operação e os valores efetivos podem ter mudado desde então, e a nova declaração de Chandrasekaran não os menciona.
Por que o retorno será lento
O negócio de semicondutores tem um ciclo longo. Construir uma fábrica leva anos. Depois vêm o ajuste do processo, a qualificação junto aos clientes e a chegada a um rendimento aceitável de chips funcionais. Os nós de 28 nm e mais antigos não exigem litografia avançada, mas a concorrência de preço é dura: o mercado de nós maduros é dominado por fabricantes de Taiwan, da China e da Coreia do Sul. Quem chega agora precisa de clientes com contratos de longo prazo, e só consegue encontrá-los depois que a linha realmente começa a operar.
A Tata tem uma vantagem que a maioria das startups do setor não tem: demanda própria. O grupo fabrica automóveis e eletrônicos, produz e monta dispositivos, e por isso pode absorver internamente parte dos pedidos. Isso, porém, não resolve a questão do capital, já que primeiro é preciso desembolsar dezenas de bilhões de rupias e só depois receber a receita.
O que acompanhar daqui para frente
Para o programa indiano de semicondutores, a declaração de Chandrasekaran significa que o principal investidor privado não está recuando. Os subsídios do governo cobrem uma parte significativa dos gastos de capital, mas sem a disposição do setor privado os projetos não chegam ao fim.
Na prática, vale acompanhar quatro pontos:
- os prazos públicos de início de operação da fábrica e da planta de montagem;
- os primeiros clientes externos anunciados pela Tata Electronics;
- qualquer mudança na estrutura de controle da Tata Sons ou na política de dividendos;
- a forma como o grupo detalha os gastos de capital em chips em seus relatórios.
Se a disputa com os acionistas terminar em um acordo sobre pagamentos, o programa ganha fôlego. Se não terminar, a pressão sobre o cronograma aumenta, e nos nós maduros, onde a margem já é apertada, quase não há espaço para erro.
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