Um em cada sete britânicos consulta AI em vez de ir ao médico
Um em cada sete britânicos consulta chatbots de AI sobre questões de saúde em vez de ir ao médico. Um quarto deles é motivado pelas longas filas de espera do NH

De acordo com uma pesquisa realizada no Reino Unido entre mais de 2.000 pessoas, 15% dos entrevistados recorrem a chatbots de IA para obter informações médicas em vez de visitar um médico. Dessas pessoas, a cada quatro, uma citou as longas filas do NHS como motivo.
Pressão no NHS e Busca por Alternativas
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido enfrenta superlotação crônica. O tempo médio de espera para uma consulta com clínico geral chega a duas ou três semanas, e em algumas regiões ainda mais. Pacientes com sintomas agudos não conseguem esperar e buscam ajuda na internet. Chatbots como o ChatGPT oferecem respostas em segundos, estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana, e não requerem agendamento. Para pessoas com questões urgentes, esses muitas vezes se tornam o primeiro recurso antes de tentar contatar um médico. Não é de se estranhar que os pacientes os usem — é uma questão de acessibilidade, não de preferência.
Uma Tendência "Extremamente Preocupante", Segundo Médicos
Médicos chamaram os resultados da pesquisa de "extremamente preocupantes". O principal problema: chatbots podem dar conselhos incorretos, levando a atraso no tratamento ou diagnóstico incorreto. IA não pode realizar um exame, não vê o histórico médico completo de um paciente, não consegue captar as nuances dos sintomas da forma que um médico faz.
A pesquisa foi conduzida no contexto de debates sobre o papel da IA na medicina. Enquanto alguns países já estão integrando IA em sistemas de saúde para apoiar diagnósticos (análise de imagens, identificação de padrões em testes), no Reino Unido, o uso em massa de IA por pacientes sem supervisão médica levanta preocupações. Médicos apontam casos em que pessoas adiavam a busca por atendimento médico até um momento crítico baseadas em conselhos de chatbot.
"Isso apresenta um risco real para a saúde do paciente", dizem
representantes da comunidade médica.
Onde a IA Pode Ajudar e Onde Não Pode
Chatbots já mostraram utilidade em certos cenários:
- Fornecer informações iniciais sobre sintomas e possíveis causas
- Lembretes sobre estilo de vida saudável e prevenção
- Apoio para doenças crônicas entre consultas
- Redução do medo e ansiedade antes de visitar um médico através do anonimato
Mas não substituem diagnóstico e exame clínico. Se um paciente reclama de dor no peito, um chatbot pode listar muitas causas — desde azia até infarto. Mas apenas um médico, tendo ouvido o paciente, conduzido um exame e testes, pode fazer o diagnóstico correto. Aconselhamento automatizado sem contexto clínico é uma loteria.
O Que Isso Significa
O estudo mostra que a pressão no NHS aumentou a demanda por alternativas — e a IA preenche essa lacuna, embora imperfeitamente. Isso não significa que chatbots são ruins, mas médicos e pacientes devem entender claramente os limites de sua aplicação. Em essência, o problema não está na IA, mas na insuficiência de recursos de saúde e na necessidade de reforma do sistema.