Emma Grede, da Good American: IA está transformando os negócios, mas o design de jeans continua nas mãos de pessoas
Emma Grede, cofundadora e CEO da Good American, traçou um limite claro para o uso de IA: quase tudo pode ser automatizado, exceto design, inovação e outros trabalhos que exigem um olhar humano. Segundo ela, a IA já está mudando de forma perceptível os processos de negócio da empresa. Para o mercado de moda, é um sinal importante: as marcas estão dispostas a acelerar suas operações, mas não a delegar à máquina o gosto e a compreensão do cliente.
Processado por IA de Bloomberg Tech; editado por Hamidun News
Emma Grede, cofundadora e CEO da Good American, propôs à indústria da moda uma fórmula surpreendentemente sóbria para trabalhar com inteligência artificial: usar a tecnologia em quase tudo que depende de velocidade e eficiência, mas mantê-la longe das áreas em que a marca se apoia na compreensão humana do gosto e das necessidades do consumidor. Segundo ela, a IA já está mudando de forma perceptível suas empresas, mas criatividade, inovação e design devem continuar nas mãos de pessoas. Grede fez a declaração em entrevista à série Leaders with Francine Lacqua, publicada em 27 de abril de 2026.
Sua posição não soa como resistência à tecnologia. Pelo contrário: ela reconhece abertamente que a IA já está reorganizando os processos de negócio. Mas, para ela, existe uma linha vermelha bem definida.
Tudo o que exige toque humano, empatia e capacidade de entender o outro não deve ser entregue à máquina. Traduzindo para a linguagem do mercado de moda: redes neurais podem acelerar o trabalho da empresa, mas não devem decidir como serão as peças que as pessoas vestem. Para a Good American, a questão é especialmente relevante.
Lançada em 2016, a marca foi construída desde o início em torno da inclusão e de uma compreensão precisa do cliente real, e não de um ideal médio de moda. A empresa estreou com o maior lançamento da história do mercado de denim e faturou US$ 1 milhão já no primeiro dia. Depois, a Good American deixou de ser apenas uma marca de jeans e passou a oferecer uma linha de moda mais ampla, mantendo o foco na inclusão de tamanhos.
Por isso, as palavras de Grede soam menos como uma discussão abstrata sobre o futuro da IA e mais como uma regra de gestão para um negócio que vende, além de roupas, a sensação de atender exatamente a uma necessidade. A julgar pela forma como Grede coloca a questão, a IA em suas empresas deve assumir tudo o que pode ser descrito como trabalho repetitivo, analítico ou operacional. Trata-se de uma interpretação de suas palavras, não de uma citação direta, mas a lógica é clara: previsão de demanda, preparação de rascunhos, trabalho com dados internos, aceleração de processos das equipes, apoio ao planejamento e outras tarefas rotineiras são mais fáceis de padronizar e repassar a algoritmos.
Já design, inovação e decisões criativas continuam sendo território humano, porque ali importam não só padrões extraídos de dados passados, mas também intuição, contexto cultural, risco e a compreensão daquilo que o consumidor ainda nem conseguiu formular. Essa posição também se encaixa bem na imagem mais ampla de Grede como uma executiva que constrói marcas na interseção entre cultura e rígida disciplina de negócios. Além de comandar a Good American, ela é sócia-fundadora da Skims e, em aparições recentes, tem falado de forma consistente sobre velocidade na tomada de decisões e adoção de IA nos fluxos de trabalho.
Ainda assim, até nas descrições de suas entrevistas e podcasts mais recentes a mesma ideia se repete: a automação deve fortalecer o negócio, mas não substituir seu núcleo criativo. Em um mercado no qual muitas empresas ou se deixam levar sem reservas pelo conteúdo generativo ou, ao contrário, demonstram publicamente medo da IA, trata-se de uma posição intermediária importante. O alcance da fala de Grede vai além do debate sobre se uma rede neural consegue criar um bom jeans.
Na prática, ela propõe dividir o negócio em duas partes: o que pode ser otimizado e o que forma a identidade do produto. Na primeira, a IA vira uma ferramenta para ganhar velocidade e reduzir custos. Na segunda, quem continua decidindo são as pessoas, porque é ali que nasce a diferença entre a marca e o fluxo infinito de variações geradas automaticamente.
Para empresas de consumo, talvez esse seja o cenário mais realista dos próximos anos: não "IA no lugar da equipe", mas IA em torno de uma equipe que continua responsável pelo gosto, pelas escolhas e pelo sentido.
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