Grammarly é processada por recurso de IA que atribuía conselhos a acadêmicos sem consentimento

A Grammarly desativou o recurso Expert Review após ser alvo de uma ação coletiva. A ferramenta apresentava sugestões de edição geradas por IA como se viessem de escritores e acadêmicos conhecidos — sem o consentimento deles. Os usuários achavam que estavam recebendo conselhos de especialistas reais, mas, na prática, era uma IA usando o nome de outras pessoas. Agora, a empresa enfrenta um processo judicial por violação de direitos de personalidade.

Processado por IA de Wired; editado por Hamidun News
Grammarly é processada por recurso de IA que atribuía conselhos a acadêmicos sem consentimento
Fonte: Wired. Colagem: Hamidun News.
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A Grammarly desativou o recurso Expert Review após ser alvo de uma ação coletiva. A ferramenta apresentava sugestões de edição geradas por inteligência artificial como se viessem de autores e acadêmicos conhecidos — sem o consentimento e sem o conhecimento deles. É mais um caso em que um produto de IA ultrapassa um limite no ponto em que a persona digital esbarra nos direitos de pessoas reais.

A Grammarly é uma das ferramentas mais populares para aprimorar textos. Segundo a empresa, mais de 30 milhões de pessoas usam seus serviços diariamente: estudantes, jornalistas, gestores e redatores. O produto começou como um simples corretor ortográfico, mas, nos últimos anos, virou uma plataforma completa de IA, com recursos de estilo, tom e personalização.

O Expert Review era um desses recursos. A proposta parecia atraente: o usuário receberia feedback não apenas de um algoritmo, mas no estilo de autores ou acadêmicos renomados. Na prática, segundo os autores da ação, o sistema não se limitava a se inspirar no estilo de alguém — ele atribuía os conselhos diretamente a pessoas reais, usando seus nomes como selo de qualidade. Os autores e acadêmicos envolvidos não sabiam desse uso, não deram consentimento e não receberam nenhuma remuneração.

O cerne da questão jurídica é o chamado right of publicity: o direito de uma pessoa controlar o uso comercial de seu nome, imagem e reputação. Esse direito é bem protegido na legislação dos EUA, especialmente em estados como Califórnia e Nova York. O caráter coletivo da ação (class action) significa que os prejudicados se uniram para fazer uma reivindicação conjunta — e, se o tribunal aceitá-la como um processo único, as indenizações podem ser bastante elevadas.

A Grammarly reagiu rápido: o recurso foi desativado no mesmo dia em que a ação se tornou pública. A medida reduz o dano imediato à reputação e mostra disposição da empresa para o diálogo, mas não a isenta de responsabilidade pelo que já aconteceu. Advogados observam que a retirada rápida de um recurso costuma pesar a favor do réu na definição do valor da indenização, mas não exclui a responsabilidade em si.

O caso da Grammarly faz parte de uma onda mais ampla. À medida que os produtos de IA passam de conselhos genéricos para conteúdo personalizado, eles recorrem cada vez mais a "pessoas reais" como fonte de confiança. Deepfakes de celebridades em anúncios, vozes de músicos mortos recriadas por IA, chatbots que imitam influenciadores reais — o arcabouço jurídico em torno de tudo isso ainda está em formação. A Grammarly foi parar nesse território de forma inesperada: um recurso de edição de texto parece distante do mundo dos deepfakes. Mas o princípio é o mesmo — o nome de outra pessoa é usado como ativo sem a autorização do titular.

Para o mercado, o recado é claro: até recursos que parecem simples melhorias de UX trazem riscos jurídicos se dependem de atribuição a pessoas reais. Antes de usar o nome ou a imagem de qualquer pessoa viva — autor, acadêmico ou especialista — como "rótulo" para conselhos de IA, as empresas precisam obter consentimento explícito e por escrito. Caso contrário, o próximo processo pode sair mais caro do que a economia feita ao pular a revisão jurídica.

ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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