CEO do Patreon diz que argumento de fair use das empresas de IA não se sustenta

Jack Conte, CEO do Patreon, chamou publicamente de insustentável o argumento de "uso justo" (fair use) das empresas de IA. Segundo ele, se essas companhias fecham acordos de licenciamento com grandes editoras, é porque entendem que é preciso pagar pelo conteúdo. Os criadores devem receber remuneração pelos dados de treinamento, diz Conte. Ponto final.

Processado por IA de TechCrunch; editado por Hamidun News
CEO do Patreon diz que argumento de fair use das empresas de IA não se sustenta
Fonte: TechCrunch. Colagem: Hamidun News.
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Jack Conte, CEO do Patreon, se posicionou abertamente contra as empresas de IA que usam a doutrina do fair use para justificar o treinamento de modelos com conteúdo de criadores sem consentimento nem pagamento.

Conte apontou uma contradição de fundo: se treinar com textos, imagens e vídeos alheios realmente se enquadra no "uso justo", por que OpenAI, Google e outros players do mercado fecham acordos de licenciamento pagos com grandes veículos de mídia, como The Atlantic, Associated Press ou Axel Springer? Para Conte, a própria existência desses acordos é um reconhecimento de que as empresas sabem que precisam pagar pelo conteúdo dos outros.

O Patreon é uma plataforma em que mais de 250 mil criadores recebem renda diretamente do público. O ganho total dos criadores pelo serviço ultrapassou US$ 3,5 bilhões. Por isso, a posição de Conte não é abstrata: trata-se de pessoas reais cujos textos, podcasts e artes podem ter sido usados para treinar modelos de linguagem sem qualquer remuneração.

O debate sobre fair use no treinamento de IA continua nos tribunais do mundo todo. Nos EUA, já há processos de autores, músicos, artistas e editoras. A questão central é se o uso de conteúdo para aprendizado de máquina é "transformativo" no sentido jurídico, o que tradicionalmente fundamenta a defesa por fair use. Críticos, entre eles Conte, acreditam que não: as empresas de IA obtêm benefício comercial direto do trabalho alheio.

Entre os argumentos do outro lado está o de que os modelos não reproduzem o conteúdo literalmente, mas "aprendem" com ele, como uma pessoa que aprende lendo livros. No entanto, essa comparação desperta cada vez mais dúvidas à medida que os modelos reproduzem com mais precisão o estilo e os fatos de autores específicos.

A declaração de Conte soma uma voz de peso ao coro crescente por um sistema justo de compensação. Vários países já discutem mecanismos regulatórios: a Europa aprovou uma diretiva de direitos autorais que obriga as plataformas a negociar com os titulares de direitos. A questão é se a retórica será seguida de pressão real sobre os legisladores e quando as empresas de IA terão de escolher: pagar os criadores voluntariamente ou por decisão judicial.

História
ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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