Óculos no lugar do smartphone: por que Mark Zuckerberg volta a apostar tudo

Mark Zuckerberg mudou de rumo. Sua obsessão agora são os óculos inteligentes, e não mais os avatares virtuais sem pernas. Para o CEO da Meta, a realidade aumentada (AR) logo vai transformar os smartphones em coisa do passado. A empresa queimou bilhões de dólares no conceito de metaverso, que nunca decolou, e agora Zuckerberg migra para um hardware mais palpável. O protótipo Orion e o sucesso da parceria com a Ray-Ban alimentam sua esperança de dar a volta por cima. O gadget representa a tentativa da Meta de finalmente ser dona de uma plataforma, sem depender das regras da Apple e do Google. Resta saber se estamos dispostos a trocar a tela no bolso por câmeras no rosto. *A Meta é reconhecida como organização extremista e proibida na Rússia.

Processado por IA de TechCrunch; editado por Hamidun News
Óculos no lugar do smartphone: por que Mark Zuckerberg volta a apostar tudo
Fonte: TechCrunch. Colagem: Hamidun News.
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A Meta transformou os óculos inteligentes em sua principal aposta para o futuro. Desta vez, o motivo não é mais um devaneio do CEO: a empresa simplesmente não tem uma casa própria no mundo da computação. Apple e Google controlam os sistemas operacionais em que rodam os apps de Zuckerberg, e uma única canetada em Cupertino pode custar à Meta bilhões em receita publicitária — como já aconteceu com as novas regras de privacidade do iOS. Mark Zuckerberg afirmou que é praticamente impossível imaginar um futuro sem óculos inteligentes. Ao contrário de suas antigas previsões sobre o metaverso, agora essas palavras se apoiam em uma lógica de mercado dura, e não apenas em fantasia.

Do metaverso aos óculos no rosto

Há alguns anos, Zuckerberg tentava convencer todo mundo de que as reuniões rápidas de trabalho do futuro aconteceriam com avatares de desenho animado no vazio do metaverso. A aposta virou uma fogueira ambiciosa que consumiu bilhões de dólares dos acionistas. Como observa o TechCrunch, as previsões de Zuckerberg merecem ceticismo — afinal, ele tinha certeza de que todos nós já estaríamos "de rolê" no metaverso há muito tempo.

Hoje, o discurso da Meta mudou radicalmente: a empresa não chama mais os usuários para mundos totalmente virtuais e quer complementar o mundo em que eles já vivem. Nessa lógica, os óculos inteligentes deixam de ser um acessório estiloso e passam a ser uma tentativa de criar uma plataforma computacional própria e, enfim, escapar da ditadura das lojas de apps alheias.

Por que a Meta não pode parar

A vulnerabilidade da Meta tem uma explicação simples: ela é uma gigante de tecnologia sem "casa" própria. Enquanto os apps da empresa rodarem dentro dos sistemas operacionais da Apple e do Google, qualquer decisão dessas companhias — de novas regras de privacidade a políticas das lojas de apps — pode tirar bilhões de dólares da receita publicitária da Meta. Se a Meta conseguir convencer as pessoas a colocar óculos no rosto, ganhará controle sobre uma plataforma computacional própria e deixará de depender das regras do jogo dos outros. Por isso, para Zuckerberg, o projeto dos óculos inteligentes não é um experimento: é uma questão de independência estratégica depois do fracasso da aposta no metaverso.

Orion: o que muda em relação ao Google Glass

Do ponto de vista tecnológico, a transição para os óculos parece mais lógica do que a guinada para o VR. O protótipo Orion, apresentado recentemente, mostra que a Meta aprendeu a colocar poder computacional sério e lentes complexas em um formato que não assusta quem está por perto. Ao contrário dos volumosos headsets de VR, os óculos não isolam o usuário da realidade: permitem ver notificações, traduzir o cardápio do restaurante em tempo real e receber dicas de um assistente de IA enquanto se olha o mundo com os próprios olhos. É justamente a integração com modelos de linguagem modernos que dá ao projeto uma chance que o Google Glass não tinha dez anos atrás.

Riscos: "glassholes" e física

O ceticismo quanto aos prazos de Zuckerberg tem fundamento: mais de uma vez ele tomou o desejo por realidade e achou que a tecnologia estava pronta para o mercado de massa antes da hora. O problema dos "glassholes" — pessoas com câmeras no rosto que deixam os outros desconfortáveis — continua aí, e a aceitação social desses gadgets segue em dúvida mesmo com um design impecável. Somam-se a isso barreiras bem físicas: autonomia de bateria limitada e superaquecimento, que nenhum slogan de marketing consegue contornar.

Se o Apple Vision Pro é uma tentativa de levar o computador para o rosto, os óculos de Zuckerberg tentam tornar interativa a própria realidade e eliminar o último elo entre o usuário e a tela: o movimento da mão até o bolso.

Por que a

Meta aposta nos óculos inteligentes, e não no metaverso?

Porque o metaverso queimou bilhões de dólares dos acionistas e não trouxe independência à Meta, enquanto os óculos inteligentes são uma tentativa de construir uma plataforma computacional própria. A Meta depende dos sistemas operacionais da Apple e do Google, e as regras dessas empresas (como no caso da privacidade do iOS) podem, a qualquer momento, custar à Meta bilhões em receita publicitária. Na visão de Zuckerberg, os óculos no rosto do usuário são a última chance de se livrar dessa dependência.

O que diferencia o protótipo Orion do Google Glass?

A principal diferença é a integração com modelos de linguagem modernos, que o Google Glass não tinha dez anos atrás. O Orion reúne poder computacional sério e lentes complexas em um formato que não assusta quem está por perto e, ao contrário dos volumosos headsets de VR, não isola o usuário da realidade: os óculos exibem notificações, traduzem o cardápio do restaurante em tempo real e mostram dicas do assistente de IA diretamente sobre o campo de visão.

Quais riscos ainda pesam sobre o projeto de óculos inteligentes da

Meta?

São dois riscos principais: o social e o físico. O social é o problema não resolvido dos "glassholes", em que a câmera no rosto incomoda as pessoas ao redor, independentemente da qualidade do design. O físico envolve a autonomia de bateria limitada e o superaquecimento, que por enquanto seguem como barreiras que o marketing não resolve. Há ainda um fator de risco geral: Zuckerberg já errou mais de uma vez os prazos em que as tecnologias estariam prontas para o mercado de massa.

*A Meta é reconhecida como organização extremista e proibida na Rússia.

História

Perguntas frequentes sobre a notícia

Por que a Meta aposta nos óculos inteligentes, e não no metaverso?

Porque o metaverso queimou bilhões de dólares dos acionistas e não trouxe independência à Meta, enquanto os óculos inteligentes são uma tentativa de construir uma plataforma computacional própria. A Meta depende dos sistemas operacionais da Apple e do Google, e as regras dessas empresas (como no caso da privacidade do iOS) podem, a qualquer momento, custar à Meta bilhões em receita publicitária. Na visão de Zuckerberg, os óculos no rosto do usuário são a última chance de se livrar dessa dependência.

O que diferencia o protótipo Orion do Google Glass?

A principal diferença é a integração com modelos de linguagem modernos, que o Google Glass não tinha dez anos atrás. O Orion reúne poder computacional sério e lentes complexas em um formato que não assusta quem está por perto e, ao contrário dos volumosos headsets de VR, não isola o usuário da realidade: os óculos exibem notificações, traduzem o cardápio do restaurante em tempo real e mostram dicas do assistente de IA diretamente sobre o campo de visão.

Quais riscos ainda pesam sobre o projeto de óculos inteligentes da Meta?

São dois riscos principais: o social e o físico. O social é o problema não resolvido dos "glassholes", em que a câmera no rosto incomoda as pessoas ao redor, independentemente da qualidade do design. O físico envolve a autonomia de bateria limitada e o superaquecimento, que por enquanto seguem como barreiras que o marketing não resolve. Há ainda um fator de risco geral: Zuckerberg já errou mais de uma vez os prazos em que as tecnologias estariam prontas para o mercado de massa. A Meta é reconhecida como organização extremista e proibida na Rússia.

ZK
Zhemal Khamidun — CPO da Alpina Digital, gerente de produto do AlpinaGPT. Cria produtos de IA desde 2019. O Hamidun News é um projeto pessoal que virou um agregador em produção com mais de 6.000 leitores.
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