ST Chengchang: o chip designer chinês tenta enganar o destino e a bolsa
Imagina que tu estás jogando um jogo de sobrevivência em que o que está em jogo não é apenas dinheiro, mas o próprio direito de se chamar uma companhia…
Processado por IA de 36Kr (36氪); editado por Hamidun News
Imagina que tu estás jogando um jogo de sobrevivência em que o que está em jogo não é apenas dinheiro, mas o próprio direito de se chamar uma companhia aberta. É exatamente nessa situação que a fabricante chinesa de chips ST Chengchang (*ST) se encontra. Se tu não acompanhas as particularidades do mercado acionário chinês, o prefixo ST antes do nome de uma empresa é uma espécie de “marca negra”.
Ele significa Special Treatment e sinaliza a todos os investidores que a empresa está a um passo do deslistamento, ou seja, de ser completamente expulsa da bolsa. A situação da companhia é realmente crítica: no fim de 2024, sua receita não chegou nem aos modestos 300 milhões de yuans, enquanto o lucro líquido afundou no vermelho. Pelas regras da Bolsa de Valores de Shenzhen, isso é um bilhete automático de saída se a situação não for corrigida o mais rápido possível.
O que uma empresa faz quando o chão está sumindo sob seus pés? Ela começa a prometer mundos e fundos. Em seu comunicado mais recente, a diretoria da Chengchang afirmou que, em 2025, pretende ganhar entre 95 milhões e 124 milhões de yuans de lucro líquido.
Soa ambicioso, especialmente se lembrarmos que no ano passado ela fechou com prejuízo de 31 milhões de yuans. Uma virada tão brusca de 180 graus na indústria de microeletrônica é rara, a menos que tu tenhas na manga um contrato secreto com o governo ou uma tecnologia revolucionária que ninguém conhece. Mas, por enquanto, o que vemos são apenas números em projeções, e não embarques reais de chips.
Isso parece uma tentativa desesperada de acalmar os reguladores e impedir que as ações em queda sejam zeradas de vez. O momento mais interessante e irônico de toda essa história é a decisão de trocar de firma de auditoria bem no meio da tempestade. No mundo das finanças, isso sempre parece uma tentativa de encontrar alguém mais “flexível” na hora de revisar as contas.
Oficialmente, a empresa afirma que isso é necessário para avançar o trabalho de auditoria de 2025, mas a gente entende que os auditores antigos muito provavelmente simplesmente se recusaram a assinar projeções tão otimistas no contexto da crise atual. Trocar os contadores “no meio da travessia” é um clássico sinal de alerta que deveria fazer qualquer investidor minimamente sensato pensar três vezes antes de acreditar no sucesso que estaria por vir. Se olharmos a situação de forma mais ampla, o caso Chengchang expõe um problema sistêmico do setor chinês de semicondutores.
Na onda dos slogans sobre substituição de importações e soberania tecnológica, surgiu no país um enorme número de pequenos players que viviam de subsídios e crédito barato. Agora que o mercado está ficando saturado e as exigências das bolsas estão mais rígidas, muitos deles estão se mostrando incapazes de gerar receita real. A Chengchang tenta provar que é uma exceção, mas, por enquanto, seus argumentos se baseiam exclusivamente em promessas no papel e remanejamentos de pessoal na contabilidade.
Para a indústria, isso é um sinal importante: o período do dinheiro fácil acabou, e agora nem mesmo o status de “desenvolvedor estrategicamente importante” vai salvar uma empresa do deslistamento se o modelo de negócio não funcionar. O que isso significa para nós? Estamos observando o estouro das bolhas naqueles segmentos do setor de tecnologia chinês que não conseguiram converter hype em vendas reais.
Se a Chengchang não conseguir sustentar suas projeções com contratos reais no primeiro semestre de 2025, sua história na bolsa vai terminar de forma bastante inglória. É uma boa lição: até mesmo na indústria mais promissora do mundo, as leis da economia e as regras da bolsa cedo ou tarde prevalecem. Vamos acompanhar para ver se ela vai conseguir “desenhar” os números necessários ou se vamos testemunhar mais uma queda ruidosa.
O principal: a Chengchang promete um crescimento impossível do lucro para não ser expulsa da bolsa, mas a troca de auditores indica que ainda é cedo demais para acreditar nesses números.
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