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Presidente da Blackstone, Jon Gray: apostar em infraestrutura de IA continua fazendo sentido, mesmo com capital mais caro

O presidente da Blackstone, Jon Gray, disse à Bloomberg que continua otimista com a construção de infraestrutura de IA, embora o custo do capital esteja subindo. A conversa aconteceu no Bloomberg New Economy Forum, em Nova Délhi. Gray comparou o ciclo atual ao boom das telecomunicações, quando a capacidade foi construída à frente da demanda e com alavancagem enorme. Segundo ele, a situação de hoje "parece e é sentida de forma completamente diferente". • Argumento central: demanda e alavancagem moderada diferenciam a corrida da IA do boom das telecoms. • Risco que Gray reconhece: o capital está mais caro. • A própria Blackstone é uma das grandes players do mercado de data centers.

Processado por IA de Bloomberg Tech; editado por Hamidun News
Presidente da Blackstone, Jon Gray: apostar em infraestrutura de IA continua fazendo sentido, mesmo com capital mais caro
Fonte: Bloomberg Tech. Colagem: Hamidun News.
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O presidente da Blackstone, Jon Gray, que comanda um dos maiores investidores em data centers, disse à Bloomberg que segue otimista com a construção de infraestrutura de IA, apesar do encarecimento do capital. Ele deu a entrevista a Yvonne Man em 13 de outubro de 2026, à margem do Bloomberg New Economy Forum, em Nova Délhi. O principal argumento de Gray: no boom das telecoms, a oferta foi construída à frente da demanda e com alavancagem enorme, enquanto o ciclo atual, nas palavras dele, "parece e é sentido de forma completamente diferente". A infraestrutura de IA, resume ele, é "o lugar certo para se estar".

O que Gray disse exatamente

A Bloomberg publicou apenas um trecho curto, sem números sobre capex, juros ou rentabilidade. Pelo que o trecho mostra, Gray reconhece a pressão sobre o custo do capital, mas não revê sua visão geral do setor. A alta dos juros costuma pesar mais sobre projetos de infraestrutura, que exigem grandes aportes no início e levam anos para se pagar. Gray, porém, afirma que este ciclo tem uma base diferente.

Por que ele recorre ao exemplo das telecoms

A comparação não é casual. Na virada dos anos 1990 para os 2000, as operadoras lançaram fibra óptica contando com um tráfego que nunca chegou ao volume esperado. Boa parte dos projetos foi financiada com dívida. Quando a demanda ficou aquém, as empresas sobrecarregadas de crédito não conseguiram honrar seus compromissos. Entre as falências do período estão a WorldCom e a Global Crossing.

Gray destaca dois traços dessa história: a capacidade foi erguida antes da demanda e a obra dependia de alavancagem pesada. Sua tese é que, hoje, pelo menos um desses fatores — e, pela lógica da frase, os dois — é diferente. Trata-se de uma avaliação de quem atua no mercado, não de estatística comprovada. Para confirmá-la, seriam necessários dados como a parcela da capacidade já contratada previamente e a estrutura da dívida de cada projeto, mas nenhum deles aparece no trecho.

Blackstone como parte interessada

Gray não fala de fora do mercado. A Blackstone vem ampliando de forma consistente sua presença em data centers:

  • compra da operadora QTS em 2021 por cerca de 10 bilhões de dólares, incluindo dívida;
  • participação na aquisição da operadora australiana AirTrunk em 2024, avaliada em cerca de 24 bilhões de dólares australianos;
  • planos anunciados em 2025 de investir 25 bilhões de dólares em projetos na Pensilvânia, incluindo infraestrutura de IA e energia.

Por isso, suas palavras devem ser lidas como a posição de um grande detentor de ativos, interessado em que o mercado não perca a confiança. Por outro lado, um investidor desse porte tem acesso a dados de ocupação e de contratos que analistas externos não têm.

Principais pontos

  • Fonte: Jon Gray, presidente da Blackstone, em entrevista à Bloomberg.
  • Local: Bloomberg New Economy Forum, Nova Délhi, 13 de outubro de 2026.
  • Posição: otimismo com a construção de infraestrutura de IA, apesar da alta do custo do capital.
  • Argumento: nas telecoms, a oferta superava a demanda e se sustentava em alavancagem elevada; agora é diferente.
  • O que o material não traz: números sobre investimentos, juros, ocupação e endividamento.

O que observar daqui para frente

Para investidores e operadoras, a questão se resume a indicadores verificáveis. Primeiro: que parcela da nova capacidade já está contratada antes de entrar em operação. Segundo: quantos projetos são financiados com dívida e em que condições de refinanciamento. Terceiro: a disponibilidade de energia elétrica e de conexões à rede, que muitas vezes limita os prazos mais do que o dinheiro.

Para startups e clientes corporativos, vale lembrar que o capital caro, mais cedo ou mais tarde, chega ao preço do aluguel de capacidade computacional. Se as avaliações de Gray estiverem corretas, o mercado absorverá o encarecimento sem grandes turbulências. Se não estiverem, os primeiros a sofrer serão os projetos muito alavancados e sem inquilinos de longo prazo, justamente os que ele aponta como o elo fraco do ciclo anterior.

ZK
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