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Alibaba transforma US$ 60 mil iniciais em aposta de US$ 53 bilhões em IA

Em 1999, Jack Ma e 17 aliados investiram US$ 60 mil em uma plataforma para exportadores chineses. Foi assim que nasceu a Alibaba. A empresa tirou o eBay da China, fez um IPO de US$ 25 bilhões e sobreviveu à pressão dos reguladores. Agora, a aposta é a IA: em fevereiro de 2025, a companhia anunciou planos de investir cerca de 380 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 53 bilhões) em nuvem e infraestrutura de IA ao longo de três anos. • Início: US$ 60 mil e 17 cofundadores • IPO de 2014: US$ 25 bilhões • Plano de IA: ~US$ 53 bilhões em três anos

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Alibaba transforma US$ 60 mil iniciais em aposta de US$ 53 bilhões em IA
Fonte: RB.RU. Colagem: Hamidun News.
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A Alibaba começou com US$ 60 mil, reunidos por 17 pessoas no apartamento de Jack Ma, ex-professor de inglês. Hoje, a empresa planeja investir cerca de 380 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 53 bilhões, em infraestrutura de nuvem e IA ao longo de três anos. Entre uma cifra e outra, passaram-se 27 anos, o eBay foi expulso do mercado, houve um IPO recorde de US$ 25 bilhões e um conflito aberto com os reguladores chineses.

O marketplace que venceu o eBay

Em 1999, a Alibaba foi concebida como uma plataforma B2B em que fábricas chinesas encontram compradores estrangeiros. O dinheiro inicial era modesto, mas a ideia atacava uma dor real dos exportadores, que não sabiam como chegar a clientes no exterior.

O mercado de consumo veio com o Taobao, lançado em 2003. A plataforma não cobrava comissão dos vendedores, enquanto o eBay, que havia comprado a EachNet local, ganhava dinheiro com taxas. A lógica era simples: primeiro reunir vendedores e compradores, monetizar depois. O papel decisivo coube ao serviço de pagamentos Alipay, com um esquema de escrow: o dinheiro só era liberado ao vendedor depois que o comprador confirmava o recebimento do produto. Em um país onde as pessoas desconfiavam do pagamento online, isso derrubou a principal barreira. Aos poucos, o eBay cedeu a China.

Em 2014, a Alibaba abriu capital nos EUA e levantou US$ 25 bilhões. Na época, foi o maior IPO da história.

Investidores e Pequim

O sucesso não veio sem atritos. Em 2011, Ma tirou o Alipay do controle da empresa, o que provocou um conflito com acionistas, entre eles Yahoo e SoftBank. A disputa foi resolvida por meio de um acordo, mas a reputação de negociador duro ficou.

A pressão das autoridades mostrou-se mais séria. Em outubro de 2020, Ma criticou publicamente os reguladores financeiros e, pouco depois, Pequim suspendeu o IPO da Ant Group, braço fintech da Alibaba. Em 2021, a empresa recebeu uma multa antitruste de 18,2 bilhões de yuans, cerca de US$ 2,8 bilhões. Ma saiu dos holofotes e, em 2023, a Alibaba se dividiu em seis grupos de negócios, para deixar a estrutura mais flexível e preparar partes da companhia para investimentos independentes.

A IA como continuação da lógica anterior

Hoje, a principal aposta da Alibaba é a nuvem Alibaba Cloud e a família de modelos de linguagem próprios Qwen, muitos deles lançados com pesos abertos. A ideia é conhecida: assim como em 1999 a empresa lucrava com as transações dos outros, agora quer lucrar com a forma como outros constroem produtos de IA. Os modelos atraem desenvolvedores, e o dinheiro vem da capacidade de nuvem, das ferramentas e dos contratos corporativos.

Essa estratégia esbarra na capacidade de computação. As restrições de exportação dos EUA bloqueiam o acesso da China aos melhores aceleradores da Nvidia. Por isso, a Alibaba, assim como as concorrentes, precisa desenvolver chips próprios e otimizar os modelos para o hardware disponível. O volume dos investimentos anunciados mostra que a empresa pretende resolver o problema com capital.

Principais números:

  • 1999: 17 cofundadores, capital inicial de US$ 60 mil
  • 2014: IPO de US$ 25 bilhões, então o maior da história
  • 2021: multa antitruste de 18,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 2,8 bilhões)
  • 2023: reestruturação em seis grupos de negócios
  • Plano de IA: cerca de 380 bilhões de yuans (~US$ 53 bilhões) em três anos, anunciado em fevereiro de 2025

O que observar daqui para frente

Para desenvolvedores, a principal conclusão prática é que o Qwen continua entre as opções mais acessíveis de modelos abertos: dá para rodá-los localmente ou na própria infraestrutura, sem ficar preso a uma única nuvem. Antes de adotar, vale conferir a licença da versão específica, porque as condições variam de modelo para modelo.

Para empresas que operam na China ou na Ásia, a Alibaba Cloud é um dos poucos provedores regionais de fato, com um conjunto pronto de serviços de IA. Para os demais, o ponto mais interessante é outro: se a Alibaba conseguirá transformar os gastos de capital em receita de nuvem antes que as restrições impostas por sanções prejudiquem o acesso a chips. A resposta virá dos balanços trimestrais, com o crescimento do Cloud Intelligence e o volume de despesas de capital.

ZK
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