Herman Gref chega a Pequim em busca de chips para o GigaChat
O chefe do Sber, Herman Gref, disse que o banco conta com processadores chineses para seu modelo de AI, o GigaChat. Isso é necessário por causa das sanções ocid

O CEO do Sberbank, German Gref, anunciou planos para o banco russo usar processadores chineses para desenvolver o GigaChat. Essa declaração foi feita na televisão federal no contexto de uma visita de dois dias do presidente russo a Pequim e da escassez crônica de equipamentos importados causada pelas sanções ocidentais, que dificultaram o acesso a tecnologias dos EUA e Europa.
O Bloqueio Ocidental Força Sberbank para o Leste
A expansão das sanções ocidentais contra a Rússia nos últimos dois anos tornou quase impossível para o Sberbank ter acesso direto aos processadores gráficos avançados NVIDIA H100 e A100, que por muitos anos foram considerados o padrão ouro para treinar grandes modelos de linguagem. Esses chips fornecem velocidade computacional máxima e eficiência energética — qualidades críticas para dimensionar modelos como GigaChat. Sem acesso a eles, desenvolver o modelo se torna extremamente difícil e economicamente ineficiente.
Diante das condições de bloqueio de facto de tecnologias americanas e europeias, German Gref articulou uma posição pragmática para o banco: a empresa está disposta a trabalhar com equipamentos disponíveis da China, principalmente processadores Huawei (Kunpeng) e outras alternativas que ainda podem ser adquiridas no mercado aberto. Esta não é uma opção ideal — os chips chineses ficam significativamente atrás dos melhores modelos NVIDIA em desempenho e têm suas próprias limitações de compatibilidade com software ocidental. No entanto, pela lógica de Gref, equipamentos modestos são melhores do que sua ausência completa. Diante de pressão informacional e tecnológica severa sobre as empresas russas, ficar sem ferramentas para o desenvolvimento de IA significaria capitulação.
Uma Longa Fila por Recursos Escassos
Mas há uma pegadinha séria, da qual Gref provavelmente está bem ciente: a fila global por processadores chineses já é enorme, e o Sberbank pode se encontrar longe da frente — mais provavelmente no final. ByteDance (proprietário do TikTok) e Alibaba — dois dos maiores conglomerados tecnológicos chineses, que consomem anualmente centenas de milhares de chips para seus data centers, plataformas em nuvem e divisões de pesquisa — já reservaram volumes significativos de produção para os próximos trimestres. Dezenas de outras grandes empresas estão se unindo a eles. Isso significa que o acesso real do Sberbank aos volumes necessários pode ser significativamente limitado e imprevisível.
- Huawei e outros fabricantes operam com capacidade próxima ao máximo, priorizando as necessidades do mercado doméstico
- O Estado chinês e os campeões nacionais recebem prioridade nos suprimentos — este é um instrumento da política industrial de Pequim
- A logística cria caos — os envios são atrasados por meses, os volumes são reduzidos drasticamente e sem aviso
- Os riscos políticos estão aumentando — qualquer nova sanção contra a China pode cortar a fonte de suprimento inteiramente
Para o Sberbank, isso transforma o problema de uma questão de logística comercial para uma questão estratégica existencial. A competitividade do GigaChat agora depende não do talento dos engenheiros, mas de forças geopolíticas sobre as quais o banco tem pouca influência.
O Que Isto Significa
A situação ilustra a divisão no mercado global de IA. Um arquipélago de ecossistemas separados está se formando: o ocidental (NVIDIA → EUA, Europa) permanece o mais avançado, mas está fechado para Rússia e China. O ecossistema chinês (Huawei, Alibaba, ByteDance) está se desenvolvendo rapidamente, mas os recursos são distribuídos dentro da China. O ecossistema russo é forçado a competir pelo acesso ao hardware na periferia desses sistemas. Para a Rússia, isso significa que o futuro de sua IA é determinado não por ambições e habilidades de engenharia, mas pela disponibilidade de equipamentos. E esse acesso se tornará um gargalo crônico.